terça-feira, 1 de março de 2011

Olhos tristes

"Olhos tristes" disseram. E eu não o via assim, apenas via aquele sorriso contido e uma enorme vontade de ser livre. Pensativo, analisava sempre ao falar e eu me perguntava se era por isso que se tornava tão interessante. Passei horas o olhando de longe, passei a segui-lo todas as manhãs após o encontro no elevador. Todos gostavam dele. Peguei-o com um livro de inglês. Era o professor do curso ao lado. Professor dos olhos tristes diziam. Eu não o via assim, via uma delicadeza e uma enorme vontade de ser livre. Fui entrando na sua vida e quando vi já fazíamos jantares e passávamos noites rindo contando casos. Chamei-o para ser meu, para ir comigo além dessas fronteiras abafadas, que onde eu ia havia liberdade. Foi. Fomos. E seus olhos brilharam tanto ao ver o outro lado que sem querer eu pensei "ele tinha olhos tão tristes antes de mim".

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