segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Vinha puro...

Braços fortes e um olhar perdido. Atravessada a rua trôpego e olhava-me com carinho. Via meu temor, meus cuidados excessivos. Era puro e não contava com a maldade que estava por vir. Ião machucá-lo, com certeza. Acreditava em tudo e tinha um sonho impossível. Puro. Cheirava a bebida. Dei um banho frio e esperei acordar para uma ressaca de arrependimentos. Estava entrando no mundo perdido. Tão impuro estava se tornando... Não demorou para as agressões acontecerem. Eles nele, ele em mim. Um dia, tão cansado, machucado e arrependido estava que não acordou. Disse que ia ficar lá, naquele lugar calmo, sentindo ainda o corpo gelado do banho que eu havia dado. Disse-me que não ia acordar, que ia ficar lá para mim, para me ser puro. Disse que não ia acordar. Ia ser puro. Puro. Ele era tão puro. Mas disse que não ia acordar. Acorda puro. Puro, acorda.

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