Estava chegando a conclusão de que o amor não existia. Não para ela que andava tão magra e frágil. Sempre com as mãos nervosas, suadas. Agora deu para andar com um lenço escondido em sua bolsa furada. Às vezes, deixava aparecer o quadriculado no emaranhado de bolinhas. Quase sempre molhado de suor. Andava melancólica e sem amor. Todas as tardes ia na fonte da praça próxima a sua casa e jogava uma moeda que tinha sido o troco do ônibus. Todos os dias descia no ponto, ia até a fonte, jogava a moeda e pedia: "Se o amor não for sorte, aqui está uma parte dele". Só assistia filmes de amor, comprava maçãs coloridas e algodão doce nos parques e sorria para qualquer casal que transbordasse qualquer tipo de alegria.
Foi chegando a conclusão de que o amor não podia ser comprado... Juntou o troco e comprou maquiagem, fez jantares caros, comprou sapatos novos e andava desfilando. Mas não sorria. Nem achou o amor. Então chegou a conclusão que não deveria esperar. E então o amor não chegou, nem doeu.
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