sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Ida inesperada
E foi-se ela com a chuva: inconstante, indiferente. Fiquei com os retalhos das lembranças, do cheiro de vinho e suor, da mão suave no meu corpo, dos lábios também no meu corpo e da sua unha nas minhas costas da forma mais clichê que minha memória pode guardar. E guardo retratos, poemas, recadinhos de "bom dia" que antes enfeitavam a cozinha e minha manhã. E guardo a esperança da volta, do amor, das minhas noites aconchegadas,aconchegantes. E guardo tudo que acho dela e coloco do jeito que gosta, para que na sua volta nada lhe irrite, que veja que ali é seu lugar, assim como o meu, assim como eu. E guardo, aguardo. E Caetano canta "você não me ensinou a te esquecer". Desligo o som, desligo a luz, desligo-me desse tempo de espera que dói. E nessa dor tomo aquela cerveja que tanto gosta com o remédio que desistiu de usar. Uso tudo seu agora, para que nada reste de ti ali além de meu amor. Para que na sua volta só haja eu. "Você não me ensinou a te esquecer". Você não me ensinou a viver sem você. Você, você, você...
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